Peguei no caderno num acto involuntário. Tem estado parado em cima da cabeceira a cobrir-se de pó e olho para ele com desdém. Existem dias em que me atrevo a abri-lo e ler episódios do meu passado, do nosso passado. Vem-me sempre uma palavra à cabeça: inocência. Todas as páginas são sobre ti, raramente sobre algo que não gostei mas todas as páginas, todas as linhas dão asas aos meus sonhos daquela altura: tu eras meu e eu tua. Nada podia roubar isso. Todos os sorrisos eram juras de amor jamais trocadas, todos os carinhos, uma confissão. Depois existem os textos de negação do que se passava comigo. Os textos em que se lê uma pessoa forte que sinceramente, não sei quem é.

Lembrei-me que hoje faz um ano que o chão fugiu dos meus pés para nunca mais voltar.

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