Espelho Meu

Gostava de me conseguir olhar ao espelho e ver aquilo que os outros vêem em mim. É claro que há dois tipos de pessoas, como em tudo na vida: os que me amam e os que me odeiam. Podia falar dos que nutrem um ódio especial por mim, aqueles seres que vêem mais do que aquilo que existe e que estão convictos de que são eles os donos de toda a razão. A parte boa é que aprendi a não perder tempo com pessoas insignificantes ou assuntos insignificantes. Seguimos então para os que me amam. Estes têm uma coisa em comum para com os que me odeiam: vêem também mais do que aquilo que na verdade é real. Já por mais de uma vez que me descreveram como uma espécie rara. Sim, descrição positiva. Parece que sou uma espécie de ovo Kinder humano, recheada, supostamente, de surpresas admiráveis. Uma pessoa apta a conversar sobre os mais variados temas, passando de geek a snob numa questão de segundos e numa questão de pessoas. Algo que, segundo os que me amam, parece estar em vias de extinção nos dias que correm. Não é que eu não fique feliz com o que por vezes me dizem. Fico. A sério que sim. O problema está em não haver limites para o que uma pessoa pensa sobre outra. Todos temos uma tendência incrível em exagerar pequenos pormenores que deveriam ser, na maioria das vezes, pormenores insignificantes. Mas os que me amam, insistem em elevar-me a um patamar de incredibilidade e admiração demasiado alto, obtendo eu, na quietude do meu tão habitual silêncio em dias de chuva como o de hoje, um estatuto de ser quase mitológico de tão rara e dona de tal perfeição da qual pareço ser dona. Com isto surge um gigante problema chamado de decepção. Quem sobe mais alto do que aquilo a que está destinado, corre sérios riscos de cair. E sempre que vocês insistem em fazer de mim uma pessoa para lá daquilo que realmente sou, as probabilidades de eu cair e vos decepcionar tornam-se maiores. Há sempre pessoas a partir e outras a chegar. É tudo uma questão de ciclos. E este é mais do que um ciclo vicioso em que as pessoas insistem em cair que nem moscas na minha teia.

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