Adeus, até um dia

Podia rir, podia chorar, podia sentir que acabou quando o mundo está apenas a começar. Mas ficou um vazio que remói o coração vezes sem conta enquanto o rádio toca melodias da nossa vida. Melodias que fizeram parte de tantos maus e bons momentos, melodias que deram asas à nossa imaginação ou paixão. Nunca esperámos nada dessas melodias. Provavelmente nunca lhes prestámos tanta atenção quanto isso. Mas depois dão-nos a oportunidade de ter uma experiência que descobrimos ser única, de passar para lá da rádio, para lá do mundo que criámos só para nós, na solidão dos nossos dias.
Nasceram na década de 70. Simples, humildes, sonhadores. Queriam ser músicos, formar uma banda. Nada mais. Acabariam por se tornar nuns génios da música, nos desabafos de muitos adolescentes ao longo dos anos, no conforto do nosso quarto ao final de um dia. Eles voltaram para acabar. Não se sabe até quando, se para sempre. Sei é uma coisa. Durante as três horas que estive no Coliseu do Porto, era eu e eles apenas. A grande sala de espectáculos não era nada mais do que o meu quarto ao fim de um longo dia. As suas músicas, eram os meus sentimentos, tão vezes disfarçados a atacarem-me todos de uma vez. Não foi o fim da canção. Foi o prolongar da minha e da de muitas outras pessoas que cresceram a ouvir Ornatos. Nunca será um adeus. Será sempre, até um dia.


Ornatos Violeta – Devagar from nashart on Vimeo

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