Vícios de papel

Disse-me várias vezes: vou deixar de escrever. Nunca o fazia. Não resistia a um papel em branco depois de uma longa noite perdido em devaneios de corpos que dançavam à sua volta. Depositava os seus desejos, fantasias e uma série de mágoas em cadernos aleatórios que ia encontrando pelo seu quarto. Muitas vezes rasgava as páginas ao final da primeira linha escrita. Outras vezes, dava-me um pequeno papel, às vezes enrolado e preso por uma pequena fita, para eu ler e protege-lo do seu criador. Eram como pequenos tesouros que eu guardava com todo o cuidado, aguardando o dia em que seriam reclamados. Nunca aconteceu. Acho muitas vezes que no meio da loucura que o atormentava, ele já não sabia da sua existência. “Precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia.”

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