Sombras do passado

Todos os dias, ao acordar, me dizia: “sonhei com ele”. E num mar de lágrimas deixava-se adormecer novamente, na esperança de que ao acordar ele já tivesse partido da sua memória. Nunca partia, dizia-me ela. Estava tão presente no seu dia-a-dia que nem os novos corpos que passavam pela sua cama o faziam desaparecer. O pior, confessava, eram as fotos. Sempre que por engano o via, o coração parava como se fosse a primeira vez. Sentia as suas mãos a acariciarem-na, os seus braços a protegerem-na e as recordações dos seus lábios, de tão boas serem, mandavam-na para o canto mais obscuro da sua existência. “Como se esquece alguem que se ama?”, perguntava. E eu em silêncio permanecia por saber que já nem o tempo era capaz de curar algumas ausências.

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