Como Sol de Inverno

Começámos com um sorriso. Dois. Uma troca de olhares, um desviar dos mesmos como ladrão fugitivo que foi apanhado em flagrante. Começou a troca de palavras. De papéis. De mensagens. De piadas. Cresceu o desejo de te tocar. De querer mais de ti. Perdemos minutos em chamadas que desejámos que fossem infinitas. Gastámos a sola dos nossos sapatos em secretos e improvisados passeios onde metade do caminho era feito em silêncio. Cresceu a cumplicidade e o medo com ela. Começaste a invadir os meus sonhos e pesadelos, numa atitude de menina apaixonada. Cantaste-me o teu fado e contigo eu cantei o meu. Compusemos canções de amor para estranhos que julgámos não serem nós. Vimos o tempo a passar, sentados na escada ao fundo da rua. Pousavas a mão à minha frente, aguardando, com o teu sorriso malicioso, que eu a agarrasse. Começavas a contar os segundos até que eu, sempre distraída, a agarrava. Desatavas às gargalhadas e tingias o meu rosto de vermelho. Era tudo tão cheio de incertezas e ao mesmo tempo batia tudo tão certo. E do nada, desapareceste. Não houve mais troca de palavras ou sorrisos. Ninguém mais soube de ti. Digo-te hoje que naquele dia cumpri a nossa rotina matinal já com a certeza de que não mais te voltaria a ver. O apego é o terrível preço que se paga pelo afecto, sabias? image

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