Ruelas de um passado tão presente

Continuo a escrever-te todos os dias. Limitei-me a deixar as canetas de lado e os cadernos acumulados nas prateleiras. Fica no entanto tudo registado. Gosto de imaginar o que poderia ter sido e a forma como teríamos morto o romance numa questão de meses se assim se tivesse encaminhado. Sei apenas que passaria horas a escrever, na tua cama, olhando para ti na tua secretária a trabalhar. As tuas recordações amontoadas a um canto, bem junto à janela colada à cama, onde uma manhã te deixei um bilhete. Sei que o nosso tempo, grande parte dele, seria passado em silêncio. Gosto imenso de silêncio. Penso que entre nós não seriam necessárias muitas palavras, seriam uma perda de tempo e nada me irrita mais do que perder tempo. Isto foi o resultado da tua presença na minha vida. Especulações. Imaginar o que podia ou não ter acontecido. Sabes do que me arrependo mais? De ter passado por ti no outro dia e não te ter falado. Mas talvez tenha sido por não me teres reconhecido. E ainda bem, não teria aguentado recomeçar tudo novamente.

Poesia, Conversas Com um Estranho

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