Sobre a vida das sereias

Nunca a memória foi tão cruel comigo. Vivo em contínuo desespero. A solidão é compacta, não dá espaço para mais ninguém, um mínimo conforto, uma folga. Tu eras o segredo que abria a minha alma e invadia o meu corpo. Eu sei como são embaraçantes e pretensiosas estas frases, mas não tenho outras com as quais me possa confessar. Minha adorada que eu não aguento mais. Nem quero sequer saber por quanto tempo. Já não sei como te tratar, como me tratar, de que tratar. Escrevi o livro até ao final da segunda parte. Não tenho coragem de o reler, menos ainda de te o enviar. Escrevi na cabeça a terceira parte. Falta-me a coragem para recomeçar, sempre recomeçar e não sair do começo. Podia dizer-te: És de uma crueldade que desconhecia possível. Mas prefiro não te o dizer. Tenho medo de te ferir sem teres culpa de nada. Tu não tens culpa de nada disto. Se alguém tem culpa sou eu. A crueldade não vem de ti, mas da falta de ti. E deus observa como tudo se resolve num instante de nada e não se intromete. Este pensamento leva-me para perto da insensatez, de qualquer coisa incontrolável. Só sei que sem ti em mim não encontro o mais ténue intento que me permita continuar. A vida não precisa de ter sentido, uma história sim. Não te posso dizer do que preciso urgentemente. Não sei o que é, o que seria. Seria necessário regressar ao começo e caminhar por outro caminho e não há forças para isso. Perdoa-me só mais esta vez.

Pedro P.

Stranger

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