Delírio

Pintei as unhas de vermelho para te encantar com histórias inventadas. Sei que não é a melhor altura. O amor é um tecido rasgado de lado a lado.
O tempo de fumar um cigarro. A tua face instável. Ouço uma e outra vez a minha voz calada. Sem conseguir dizer a palavra que salva. Não é a melhor altura. Nada posso fazer. Penso em ti de noite e de dia.
O amor insaciável. O desgaste das horas vazias. No meu coração não há lugar para mim. Os teus olhos mentem-me. O teu sorriso fere-me como uma lança. Sei que não tens culpa. No amor não há culpados. Isto de ser assim. Todas as linhas cruzadas. Nada posso fazer. Ouço o som do teu nome a ecoar por detrás das montanhas. Penso em ti de noite e de dia. O amor é um tecido em finos fios de seda rasgado de lado a lado.
As lágrimas fazem um lago que se vira para passar a ser ilha. Não saberemos quem fomos nem sequer no mais estreito abraço. Desconhecidos de nós próprios a lua ilumina o rio que corre apressado em se afogar no mar. Meu amigo, suplico-te, regressa ou parte, não me deixes suspensa nesta morte.
O amor insaciável, o desgaste de todas as horas, a unha pintada de vermelho. As unhas tingem a toalha como o canto das palavras ocas, as lágrimas cobrem o lago em que mergulho à tua procura e nem a mim encontro. Ainda, e já é tão tarde. De qualquer modo, amigo, não apanhes vento.

Pedro P.

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