Lisboa

Minha cidade. Sinto falta da tua luz. Do teu movimento. Das tuas ruas que transpiram história em qualquer ponto da cidade. Das vistas que me proporcionavas e dos pôres-do-Sol. De ir a uma das tuas casas de pasto e das rivalidades amigáveis, quase diárias, por eu ser do Norte. Sinto falta da minha casa. Dos meus cantinhos. Dos meus refúgios. De inspirar profundamete no Cais das Colunas e deixar que o vento levasse meus sonhos consigo. Sinto falta das tuas ruas apinhadas de gente, por onde passeava sozinha e me sentia realmente feliz. Em paz. Da independência que me deste a conhecer. Dos teus miradouros, espalhados por toda a parte. Das bairristas de Alfama, sempre simpáticas, do orgulho que me davam a conhecer por viverem ali. Sinto falta dos Santos. Dos arraiais a toda a hora que duravam até às tantas. Dizem que os alfacinhas não morrem de amores por desconhecidos mas sempre julguei isso mentira. Afáveis, simpáticos, prestáveis. Por vezes com uma pitada de superioridade mas nunca de forma propositada. Sinto falta dos serões no Bairro Alto, no nosso República. Música até às tantas. Bandolins que ecoam na escuridão. Dos teus bairros que me arrastavam para eles a toda a hora. Nunca me senti insegura em Lisboa. Nunca senti como forasteira. Sinto mesmo falta da mistura de culturas. Aqui, onde me encontro, não há nada disso. É quase como uma cápsula do tempo, perdida entre montanhas. Nada se passa e o tempo mal passa. Sinto falta das fotografias tiradas a toda a hora. Sinto falta da praia. Das esplanadas ao final do dia. De andar pelas mesmas ruas e não me fartar, não me cansar. Dos museus intermináveis. Como sou feliz desde que tenha um museu aberto! Do alfarrabista vaidoso do Campo de Santa Clara que visitava em todas as Feiras da Ladra. Da tua vista proporcionada pela varanda do Panteão. Poucos sabem que essa é a melhor viista da cidade. Sinto falta de poder dizer: vivo em Lisboa. Não há um único dia em que não pense em ti. Todos os dias sinto a tua falta e a distância cada vez mais a separar-me de ti. Não há Lisboa sem ele, no entanto. Não há nada em ti sem que o associe. Todas as tuas janelas, a tua calçada, o Tejo que te banha, todos os parques. Ele está lá. Em todas as memórias. E por mais que te ame, pela tua beleza e saudade que transpiras, é ele que procuro nas tuas sombras, aguardando um sorriso que já não tenho, abraços abertos ao medo de regressar. Talvez o querer voltar tenha apenas um motivo: quero voltar a estar com ele.
Lisboa by Adriana Couto

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