Memórias de Artista

Uma terça num qualquer mês, descobri um pequeno alfarrabista colocado atrás do Panteão Nacional. Era dia de feira mas pouco liguei às bancas que se amontoavam pela rua. Entrei sem hesitar na pequena loja. A primeira coisa que me chamou à atenção, foi uma pequena pintura a pastel que estava pendurada numa das paredes. Adorei-a instantaneamente. Namorei-a por muitas semanas até ser vendida. Depois comecei a descobrir as prateleiras. Comecei por uma onde os autores nacionais estavam em maioria. Apaixonei-me pelos exemplares autografados. Descobri, inclusive, um livro que tinha uma carta do autor. Pudesse e tinha levado uma pequena fortuna comigo.

Voltei em qualquer outro dia ao mesmo alfarrabista com uma amiga. Ela mostrou-se tão entusiasmada quanto eu. Explorámos as prateleiras durante mais de uma hora e isso chamou à atenção de um senhor que se encontrava a ver livros também. Falou connosco. Aconselhou-nos alguns livros. Tivemos uma fantástica discussão sobre alguns autores. Era um senhor com quem poderíamos ter conversado durante horas.
Discretamente, o Sr. Eduardo Martinho, dono da loja, aproximou-se de nós e perguntou-nos: “Sabem quem é aquele senhor?” Nós dissemos que não. Puxou então de um livro e mostrou-nos uma gravura. Era fantástica. Por baixo, a identificação apontava: Raúl Perez. “É ele”, disse-nos. Foi um momento de ouro.
Ficámos por mais uma hora a ver tanto com o Sr. Eduardo como com o Sr. Raúl Perez mais alguns exemplares. Eu consegui o meu “As  Duas Máscaras” de E. Schwalbach dedicado a Júlio Dantas e carimbado pela biblioteca privada do mesmo. Senti-me rica, naquele momento.
Aconteceu mais um momento engraçado naquela mesma manhã. O Sr. Raúl mostrava-nos um livro quando, de repente, uma senhora entra na loja e lho tira rapidamente das mãos. Correu, praticamente, para a caixa com ele e levou-o dali. Foi a vez do Sr. Raúl Perez se explicar: “É uma crítica muito conhecida”. Viríamos a descobrir que se tratava de Maria João Fernandes.
Pouco tempo depois saímos, finalmente. E como duas adolescentes saímos com um sorriso enorme na cara. Como um pequeno lugar poderia dar-nos tanto prazer numa única manhã.

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