Sobre a desilusão em meus lábios

Decidi lançar-me no escuro e tentar a sorte com o desconhecido. Dancei em conversas sem rosto, em noites longas de reconhecimento. Eu estava em vantagem, conhecia o teu olhar e os sorrisos que arrancavas da pequena multidão feminina que te seguida de lés-a-lés para te ouvir tocar. Com a ajuda de uma brisa de coragem dei um passo em frente, em tua direcção. Não quis saber das evidentes diferenças entre nós pois dei por mim a achar que os erros antigos passavam por aí. Tu falavas sem me ver, cativando-me aos poucos, sem pressas, sem demoras. Um dia quiseste mais e estacionaste o carro à minha porta. Bateste o pé e disseste-me: se tu existes, vem ter comigo. Com um sorriso rasgado abri-te a porta da minha alma e dei-te a beber os poemas do meu peito. Levaste-me a ver uma lua escondida pelas nuvens, naquela que dizias ser a melhor vista da cidade, e depois dessa noite, teu corpo foi ficando na minha cama para a ternura das madrugadas seguintes. Não sei se te foste com a noite ou com a luz do dia. Só sei que te perdi com a mesma velocidade com que te encontrei.

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