Cão sem trela

Já te aconteceu estar deitado na tua cama e estar tudo tão silencioso que consegues ouvir o teu próprio coração? A mim acontece-me vezes demais, muitas vezes motivado por insónias que vão pernoitando cá por casa. Esta noite voltou-me a acontecer. 05:41. Ainda não durmo. Não sei se luto contra o sono ou se ele irá passar esta noite fora. A cama está fria. Sinto frio, por mais mantas que ponha a meus pés. Abraço-me e tento esconder-me debaixo dos lençóis. Procuro um som que seja proveniente de qualquer divisão que não o meu quarto. Nada. O meu coração continua a bombear o sangue das minhas veias, como se fosse mais um dia. Só mais um dia. Mas é o último. Levanto-me e vou até à sala. Dormes profundamente no meu sofá. Quero muito acordar-te, dizer-te que não vás, que te mudes para a minha cama mas deixo-me em silêncio. Talvez seja mais fácil se estiveres longe de mim. Talvez assim as palavras não sequem na minha garganta, gritando para que entendas. És um cão sem trela para te conseguir apanhar, mas que teria acolhido com todo o carinho que o mundo tem para oferecer. 

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