Lisboa Gaiata

Se o vento o amor apregoa,
Nesse bairro lá de Lisboa,
Rodam as saias sem parar
Das varinas junto ao mar.

Sobre as lágrimas derramadas
De quem o mar tudo levou,
Ficaram lá sete colinas,
De um tempo que passou.

Lisboa, bela cidade,
Por ela cantam o amor,
Num beijo terno de saudade;
De quem por ela tudo deixou.

Soam as guitarras pela calçada,
Num Fado de prato e dor,
Alheio à luz que ficou,
Abraço de quem se enamorou.

Sobre o Tejo as caravelas,
Memórias de quem já partiu.
Em terra a coragem,
De uma cidade que resistiu.

As esquinas suspiram seu nome,
As ruas dançam seu esplendor,
Para que a manhã nasça gaiata,
Abençoada por seu calor.

Música e Letra: Adriana Couto

O Voo da Fénix

Todos os teus dias começam na incerteza do que poderá acontecer. Sabes o que queres de ti e para ti mas vives presa a um relógio que te faz não poder levantar voo sempre que o desejas. Olhas para o lado. Tomas um comprimido e depois outro e ficas a pensar, sentada na cama, se o dia te irá fazer viver de forma diferente para te esqueceres. Esqueceres de ti, da vida que escreveram para ti, do medo que te procura. O teu telefone toca e os teus serviços de ouvinte dedicada começam. Não te importas, até gostas porque te lembram de que os problemas do mundo não se concentraram todos em ti mas que foram distribuídos, mesmo que não tendo sido de forma justa. Olhas-te ao espelho e dás por ti a pensar: “porquê eu?” e como o despertar de uma guerreira, respiras fundo e afastas a tristeza para o canto mais escuro do teu quarto. Será sempre de admirar a força que transpiras em forma de sorriso e gargalhadas que preenchem o ar de quem te rodeia, a música que vais buscar aos silêncios das nossas vidas e que nos fazem dançar a teu comando. Podem tentar matar-te as vezes que quiserem mas tu irás sempre reerguer-te das cinzas para nos fazer lembrar que há uma esperança que nunca tem fim. Os teus dias existem para que nos ensines a amar e que num mundo que nos diz “não”, nós temos sempre forma de o contornar. És apologista das pequenas loucuras porque há loucuras que valem pela vida. Deixas que o sol entre no teu espírito para que nos possas iluminar quando mais precisamos de um ombro amigo ou de alguém que esteja simplesmente ao nosso lado. Às vezes gostava de poder fazer mais por ti. De te mostrar que há quem realmente se importe e que não te vai abandonar. De te pedir que olhes para trás e percebas tudo aquilo que já caminhaste, que ultrapassaste, que caíste para te levantares sempre e continuares a andar pronta para lutar contra as tormentas que o teu mar ainda te possa proporcionar. Deixa que os dias em que te calaste com vontade de gritar sejam a melodia de um piano que escreveu o que um dia te foi na alma. Que os dias em que nos sorriste com vontade de chorar por dentro sejam a marca que deixaste nas nossas vidas, a imagem da pequenita que nos tocou como ave de rapina que ficou para nos defender com unhas e dentes do caos das nossas vidas. Não há nada nem ninguém que possa ditar regras para a tua vida. Traça o teu caminho. Procura-te, conhece-te e perde-te como se não houvesse um amanhã.

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