Lisboa Gaiata

Se o vento o amor apregoa,
Nesse bairro lá de Lisboa,
Rodam as saias sem parar
Das varinas junto ao mar.

Sobre as lágrimas derramadas
De quem o mar tudo levou,
Ficaram lá sete colinas,
De um tempo que passou.

Lisboa, bela cidade,
Por ela cantam o amor,
Num beijo terno de saudade;
De quem por ela tudo deixou.

Soam as guitarras pela calçada,
Num Fado de prato e dor,
Alheio à luz que ficou,
Abraço de quem se enamorou.

Sobre o Tejo as caravelas,
Memórias de quem já partiu.
Em terra a coragem,
De uma cidade que resistiu.

As esquinas suspiram seu nome,
As ruas dançam seu esplendor,
Para que a manhã nasça gaiata,
Abençoada por seu calor.

Música e Letra: Adriana Couto

Sequuntur Somnia

Noites de pesadelos que atormentam o meu sossego, dia após dia. Quase que adivinham o que mais tento esconder. Estás em todos eles. E em todos eles o teu olhar misterioso, ilegível, olha-me como se não houvesse amanhã, enquanto me espetas faca atrás de faca, enquanto me torturas com o teu silêncio. Esta noite fugi de ti no meu pesadelo. Fiz-me de forte. Ignorei-te. Ignorei-as. Mas de manhã apercebi-me que não tinha sido só um pesadelo. Tens-me andado a mostrar o teu presente, não tens? E eu nas sombras, vejo tudo.

Adeus, até um dia

Podia rir, podia chorar, podia sentir que acabou quando o mundo está apenas a começar. Mas ficou um vazio que remói o coração vezes sem conta enquanto o rádio toca melodias da nossa vida. Melodias que fizeram parte de tantos maus e bons momentos, melodias que deram asas à nossa imaginação ou paixão. Nunca esperámos nada dessas melodias. Provavelmente nunca lhes prestámos tanta atenção quanto isso. Mas depois dão-nos a oportunidade de ter uma experiência que descobrimos ser única, de passar para lá da rádio, para lá do mundo que criámos só para nós, na solidão dos nossos dias.
Nasceram na década de 70. Simples, humildes, sonhadores. Queriam ser músicos, formar uma banda. Nada mais. Acabariam por se tornar nuns génios da música, nos desabafos de muitos adolescentes ao longo dos anos, no conforto do nosso quarto ao final de um dia. Eles voltaram para acabar. Não se sabe até quando, se para sempre. Sei é uma coisa. Durante as três horas que estive no Coliseu do Porto, era eu e eles apenas. A grande sala de espectáculos não era nada mais do que o meu quarto ao fim de um longo dia. As suas músicas, eram os meus sentimentos, tão vezes disfarçados a atacarem-me todos de uma vez. Não foi o fim da canção. Foi o prolongar da minha e da de muitas outras pessoas que cresceram a ouvir Ornatos. Nunca será um adeus. Será sempre, até um dia.


Ornatos Violeta – Devagar from nashart on Vimeo

Será?

Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.

Eu sei que tu estarás sempre por mim
Não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será,
Será,
Será!

Pedro Abrunhosa

Confiar

Desapareceste do meu mundo e do mapa onde te seguia atentamente, à espera que olhasses para trás e me visses. Perdeste-te no teu mundo, o qual foi fechado a quem mais te queria bem, com uma mágoa que existe por tudo quereres e ao mesmo tempo destruíres tudo o que a ti te quer. Por onde andas?

Talvez confiar…
Talvez confiar e esperar um dia sem dor.

Por ser um véu entre ti
Talvez nunca vás mudar
Por nunca querer esquecer um fim
Que teimas lembrar.